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Médico explica a ciência por trás das transformações do corpo

| Redação
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O médico geriatra Arnaldo Pinto Guedes de Paiva associa ciência, biologia e filosofia para apresentar uma perspectiva inovadora acerca da vida no livro Palimpsesto. Com uma obra que busca simplificar termos filosóficos e científicos para o público, ele defende as transformações como um aspecto fundamental da existência para auxiliar as pessoas a fazerem as pazes com o processo de envelhecimento e as constantes mudanças do cotidiano.

Para isso, o pesquisador relaciona o corpo aos palimpsestos, pergaminhos reutilizados durante a Antiguidade e a Idade Média. Como o material era caro e trabalhoso de produzir, novos manuscritos eram feitos a partir da raspagem e da lavagem da superfície, criando um outro escrito e mantendo vestígios dos registros anteriores. 

O corpo pode ser compreendido como o livro que a natureza escreve com as letras da célula. Cada cópia é uma linha dessa narrativa contínua que começou muito antes do nascimento e prossegue além da consciência individual. Em suas repetições controladas, o organismo expressa a vocação mais profunda da sobrevivência: permanecer em movimento. O corpo é a forma pela qual a vida aprende a dizer-se outra vez — igual o bastante para ser reconhecida, diferente o suficiente para seguir existindo. (Palimpsesto, p. 14) 

Mas de que maneira essa técnica tão antiga está relacionada com os humanos? A Teoria das Cópias, apresentada pelo escritor, é a chave para fundamentar uma resposta. De acordo com o profissional da saúde, todos os dias milhões de células morrem e são substituídas. O organismo se reconstrói, mas nunca é o mesmo.

Cada célula-filha herda as instruções da célula-mãe, garantindo a continuidade das funções vitais e da coerência biológica, entretanto os erros são inevitáveis nesse processo. Enquanto essas transformações ocorrem continuamente, sem nunca mudar de maneira radical, algumas estruturas resistem à substituição e mantêm a estabilidade. É o caso, por exemplo, do cérebro, que preserva a identidade em meio às alterações. 

Ao aproximar essa teoria da física dos sistemas fora do equilíbrio, o pesquisador mostra como organismos preservam sua organização por meio de trocas contínuas de matéria e energia com o ambiente. “Por isso, os seres vivos são chamados de estruturas dissipativas: pequenas ilhas de organização que só se sustentam porque gastam energia e liberam desordem ao redor”, afirma o escritor. 

A Teoria das Cópias parte da predominância da fidelidade: para que a vida mantenha continuidade, as cópias precisam preservar, em grande medida, a informação do sistema anterior. Apesar disso, pequenas variações introduzem diversidade e abrem possibilidades sobre as quais atuam os processos evolutivos. Como sintetiza o autor: “Sob esse prisma, a cópia não é um subproduto da evolução, mas o seu motor”. 

FICHA TÉCNICA 

Título: Palimpsesto
Subtítulo: O corpo que se reescreve
Autor: Arnaldo Pinto Guedes de Paiva Neto
Editora: Appris
ISBN: 978-85-473-4686-7
Páginas: 88
Preço: R$ 46 (físico) | R$ 29 (e-book)
Onde comprar: Amazon 

Sobre o autor: Arnaldo Pinto Guedes de Paiva Neto é médico geriatra formado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Pós-graduado em Física e em Geriatria e Gerontologia, desenvolve projetos e pesquisas interdisciplinares voltados à relação entre medicina, envelhecimento e pensamento filosófico contemporâneo. Palipsesto: O corpo que se reescreve é resultado de um trabalho que integra evidências científicas e reflexão teórica para compreender como a vida preserva informações apesar da constante substituição da matéria. 

Instagram: @arnaldopaivaneto