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Política
 
03/08/2019
Presidente da OAB entra no STF com interpelação a Bolsonaro
 

Bolsonaro afirmou que poderia explicar a Felipe Santa Cruz como o pai dele desapareceu durante a ditadura militar (1964-1985) asldjfalskdjflaksçasdl

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, ingressou, na quarta-feira (31), com interpelação para que o presidente Jair Bolsonaro esclareça as declarações sobre a morte do seu pai, Fernando Augusto Santa Cruz, desaparecido durante a ditadura militar. O pedido é assinado por 12 ex-presidentes da entidade.

Na segunda-feira (29), Bolsonaro afirmou que poderia explicar a Felipe Santa Cruz como o pai dele desapareceu durante a ditadura militar (1964-1985). Ele reclamava da atuação do advogado na investigação do caso de Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro durante a campanha eleitoral do ano passado.

Segundo Bolsonaro, Felipe "não vai querer saber a verdade" sobre o pai. Ele disse que Fernando Santa Cruz foi morto por companheiros da Ação Popular (AP), organização de esquerda na qual ele militava e classificada pelo presidente como "grupo terrorista".

Documentos oficiais das Forças Armadas, no entanto, sugerem que o militante foi preso por agentes do regime militar um dia antes da data em que morreu. O atestado de óbito esclarece se tratar de "morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial".

A ação protocolada pelo órgão tem como finalidade esclarecer se a declaração é ofensiva ou não, o que geraria uma ação de crime contra a honra em caso de comprovação. Ainda que seja notificado, Bolsonaro tem a prerrogativa de decidir se responde à interpelação. Em negativa ao pedido de esclarecimento, o Supremo julgará se aceita ou não uma ação crime contra o presidente.

"As declarações do presidente da República vão contra o reconhecimento amplo e oficial da violação praticada contra o genitor do ofendido e sua família, veiculando informação desmentida pelo próprio Estado, e que atenta contra a dignidade das vítimas", afirma o documento. "Ainda mais grave se torna a possível prática de injúria em razão da posição institucional e do cargo ocupado pelo Exmo. Sr. Jair Bolsonaro, atualmente investido nas funções de mais alto mandatário da Nação", seguiu.

Mesmo com a repercussão negativa de várias de suas declarações nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro afirma que não vai mudar seu jeito de agir. Ele disse que continuará falando à parcela mais conservadora da população, a primeira a aderir à sua candidatura, e que não está preocupado com a eventual reeleição, em 2022.

"Sou assim mesmo. Não tem estratégia. Se eu estivesse preocupado com 2022, não dava essas declarações", explicou o presidente, ao ser questionado se as falas recentes são planejadas ou apenas resultado de impulsividade. Recentemente, Bolsonaro chamou nordestinos de "paraíbas" e incomodou até aliados com declarações relacionadas à ditadura militar.


COBRANÇA DE EXPLICAÇÕES DO PRESIDENTE:

Se efetivamente teve conhecimento das circunstâncias, dos locais, dos fatos e dos nomes das pessoas que causaram o desaparecimento de Fernando Santa Cruz Oliveira;

Em caso positivo, quais informações o requerido detém, como as obteve e como as comprova;

Se sabe e pode nominar os autores do crime e onde está o corpo de Fernando;

Em caso afirmativo, a razão por não ter denunciado ou mandado apurar a conduta criminosa revelada;

Se afirmou aos órgãos de comunicação social e aos sites referidos no preâmbulo deste petitório que o falecido Sr. Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira teria sido assassinado não por militares, mas por seus companheiros de ideias libertárias (Ação Popular).

Fonte: Congresso em Foco

 
 
 
 
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