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Política
 
22/06/2019
Moro afirma que hackers agiram para atacar combate à corrupção
 

O ministro apresentou dados da 13ª Vara da Justiça Federal quando ele era juiz

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou, na última terça-feira (19), que considera a ação de hackers que invadiram celulares dele e de outras autoridades como os procuradores do Ministério Público um ataque ao combate à corrupção no Brasil. "Fiquei surpreso com o nível de vilania e baixeza dessas pessoas responsáveis por esses ataques, pela ousadia criminosa de invadir telefones de procuradores da República e do ministro da Justiça e usar isso não para fins de interesse público, mas, sim, para minar os esforços anticorrupção", afirmou Moro.

O ministro esteve na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para explicar as conversas que ele manteve com os procuradores do Ministério Público responsáveis pela Operação Lava Jato, que foram vazadas pelo The Intercept, e apontam uma possível colaboração do então juiz com os acusadores do ex-presidente Lula no processo do Triplex no Guarujá. Nas conversas, há indícios de que o hoje ministro da Justiça deu orientações aos integrantes do MPF.

Em sua defesa, o ministro apresentou dados da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba quando ele era juiz que, segundo ele, demonstram que não existiu colaboração ou convergência dele com o Ministério Público. Moro afirmou que das 90 denúncias apresentadas pelo MP, 45 foram alvo de sentenças e os procuradores recorrem contra 44 dessas sentenças. "Se falou muito de conluio e isso é indicativo claro de que não houve conluio", argumentou Moro. Ele listou ainda que foram 66 absolvições contra 211 condenações e que 91 pedidos de prisão cautelar foram indeferidos por ele. O ministro voltou a questionar a autenticidade das conversas vazadas.

Logo no começo da audiência, o senador Humberto Costa (PT-PE) questionou a presidente da CCJ, senadora Simone Tebet (MDB-MT), sobre em qual condição o ministro seria ouvido, como testemunha ou já como investigado. Tebet destacou que Moro comparece ao Senado como autoridade disponível para prestar esclarecimentos, como é comum que o ministros de Estado façam.

Na linha do que já vinha dizendo por meio de notas, o ministro da Justiça reafirmou que suspeita da autenticidade das conversas divulgadas pelo The Intercept e disse que o site tem usado de sensacionalismo e desrespeitado princípios básicos do jornalismo, já que não foi procurado previamente à publicação da primeira.

Moro ainda relatou um evento ocorrido no dia 4 de junho, que ele considerou como a invasão de seu aparelho de celular. "Em 4 de junho, por volta das 18h, meu celular sofreu ataque, eu vi três ligações com meu próprio número, clonado, verifiquei posteriormente que não importa se a pessoa atende ou não, depois alguém me mandou mensagem perguntando se eu tinha entrado no telegram, ou seja, a pessoa abriu uma conta em meu nome no telegram, eu não uso esse aplicativo desde 2017, em princípio o conteúdo do meu celular não foi acessado, chamamos a Polícia Federal, que examinou e entreguei meu celular'', disse. ‘‘Mesmo que tenha algo verdadeiro, pode ter mudança de trecho ou de palavra para causar escândalo", argumentou Moro.

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, também será ouvido em uma audiência marcada para o dia 1º de julho, no Conselho de Comunicação Social do senado.

Fonte: Congresso em Foco

 
 
 
 
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