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Saúde
 
02/02/2019
Dependência química: conheça os modelos de assistência
 

É de suma importância que o tratamento seja feito por especialistas e em locais apropriados, de acordo com o quadro do paciente

Quem tem uma pessoa querida dependente de drogas muitas vezes não sabe o que fazer ou a quem recorrer. Quando há a indicação médica da internação, o próprio paciente, ou familiar, precisa analisar bem as possibilidades oferecidas pelas diversas instituições para escolher o caminho mais adequado para a reabilitação. O tratamento pode ser feito em clínicas hospitalares, CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) – do Sistema Único de Saúde – ou ainda em comunidades terapêuticas (muitas vezes erroneamente indicadas como clínicas).

As clínicas hospitalares são espaços privativos e que aceitam planos de saúde, frequentemente. "Uma boa unidade oferece equipe multidisciplinar, com médico 24 horas, psicólogos, grupos terapêuticos diversos, equipe de enfermagem e de farmácia, plantão terapêutico, terapeutas ocupacionais, educação física, procedimentos para a segurança do paciente, alimentação de qualidade, entre outros itens", explicou Carlos F. Lopes de Oliveira, presidente da Clínica Hospitalar Novo Nascer e membro associado do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (foto).

Nesta modalidade de assistência, segundo Carlos, não há a chamada laborterapia, que consiste na prática em trabalhos de asseio e manutenção do espaço, o que acontece em comunidades terapêuticas. "Nesse sistema intensivo, há a possibilidade de se fazer a internação involuntária, que é destinada àquelas pessoas que não conseguem mais decidir pela saúde e recuperação delas mesmas. Por lei, um tratamento involuntário somente pode ser realizado em ambientes hospitalares, isto tanto pelo quadro do paciente, quanto pela natureza do tratamento, o que exige a presença de médico 24h na instituição", disse.

Conforto também é um item importante. "O objetivo final da internação é a recuperação e não há como se oferecer uma verdadeira oportunidade de recuperação sem conforto também físico. Afinal, o paciente precisa estar apto a participar ativamente de uma série de terapias em que construirá novos padrões de comportamento, uma nova e mais equilibrada forma de ver a vida", afirmou o presidente da Clínica Hospitalar Novo Nascer.

Outro ponto importante a se ressaltar é que clínicas hospitalares normalmente não estão associadas a qualquer religião. "Os pacientes podem exercer livremente suas escolhas nesse sentido em momentos onde se trabalha a espiritualidade de forma geral e inclusiva, sem a obrigatoriedade de participação em eventuais cultos religiosos ofertados", destacou.

Há instituições governamentais. Muito embora a reforma psiquiátrica haja criado uma Rede de Atenção Psicossocial com diversos modelos de assistência, na prática, na grande maioria dos municípios brasileiros, apenas os CAPs foram implantados, reduzindo o sistema a apenas um dos canais de atendimento necessários. Os centros de atenção funcionam como unidades de saúde regionalizadas que oferecem atendimento de cuidados intermediários entre o regime ambulatorial e a internação hospitalar.

Já as comunidades terapêuticas têm um outro perfil de assistência, de acordo com Carlos. Elas são espaços para tratamentos voluntários, onde são ofertados grupos de autoajuda, como os de 12 passos, e o paciente comumente participa do trabalho diário de manutenção das instalações da comunidade, cozinha, horta etc.

Qual o melhor? "Isto vai depender da condição do paciente. Existem pessoas que aderem a um tratamento ambulatorial, outras que conseguem perceber o problema pelo qual passam e se dispõem a um tratamento em modelo comunitário. Outras, que mesmo aceitando se tratarem, têm condições clínicas que tornam necessário um tratamento em unidade hospitalar e ainda aqueles que, em uso compulsivo de substâncias psicoativas, necessitam de uma internação involuntária para iniciar o seu tratamento", finalizou Carlos F. Lopes de Oliveira.

 
 
 
 
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