Notícias
 
Cidade
 
26/01/2019
Serra dos Cavalos tem sido alvo de crimes ambientais
 

Incêndios têm sido registrado no Parque João Vasconcelos Sobrinho, mas Prefeitura vem promovendo ações importantes para preservar o meio ambiente

Jaciara Fernandes

Dois importantes momentos marcaram Caruaru na última quarta-feira (23), no que diz respeito à preservação do meio ambiente, mais precisamente o Parque Natural Municipal Professor João Vasconcelos Sobrinho, em Serra dos Cavalos, na zona rural. Trata-se de estratégias que convergem na promoção de empoderamento das populações moradoras no entorno e de pessoas com fortes vínculos de compromissos tanto com Serra dos Cavalos quanto com o parque.

O primeiro momento é um curso que será realizado pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SPM) com o tema "Formação de mulheres da agricultura familiar com base nos princípios da agroecologia". A iniciativa é em parceria com a Secretaria de Sustentabilidade e Desenvolvimento Rural, além das Mulheres do Araçá, Ecovila Nova Vraja Dhama (ISKON) e Associação Conhecer e Preservar (ACP). O objetivo é despertar no público alvo, vivências teóricas e práticas de produção rural em harmonia com os princípios de preservação ambiental.

Já o segundo momento refere-se a uma mobilização de pessoas dentro de um processo permanente de aprimoramento técnico para o turismo por meio da constituição de Ecocondutores que possa auxiliar na mediação das visitações ao parque, bem como em outros atrativos na região de Serra dos Cavalos. Todos os esforços giram em torno de uma única meta: intensificar ações que resultarão na preservação da fauna e da flora existentes no local, que tem algumas espécies raras. Porém, frequentes incêndios no Parque João Vasconcelos Sobrinho vêm preocupando as autoridades e entidades ambientais por representarem prejuízos incalculáveis para a natureza.

O último incêndio aconteceu no início desta semana, na segunda-feira (21), quando as chamas destruíram aproximadamente dois hectares de vegetação de mudas e mata em regeneração. Ou seja, a área já havia sofrido recentemente outra ação do tipo. Há suspeita de que a causa tenha sido uma fogueira acendida em um acampamento clandestino. O resultado só não foi pior porque a Brigada de Incêndio chegou rápido ao local e conseguiu apagar o fogo. Em seguida, foi à vez do 2º Grupamento de Bombeiros fazer o resfriamento da área atingida e acabar com a possibilidade que o incêndio recomeçasse.

Outro recente incêndio foi registrado há menos de um mês, no dia 29 de dezembro, sendo de maiores proporções, quando 20 hectares de mata foram atingidos, o que corresponde a quase 20 campos de futebol. Embora não tenha sido incêndio, o caso que mais chamou a atenção foi registrado em julho de 2016, quando a Celpe provocou crime ambiental ao derrubar árvores sem que houvesse algum critério, comunicado prévio ou autorização de órgãos competentes com a preservação da área. Os prejuízos para a natureza também foram incalculáveis.

Os casos mostram a vulnerabilidade do parque, que possui uma área total de 395 hectares e é de responsabilidade do Governo Municipal, que trabalha em ações para a preservar o espaço. O mestre em Gestão e Políticas Ambientais, João Domingos, que é o gestor do parque, reconhece a vulnerabilidade do local. "De fato, existe uma vulnerabilidade generalizada ao meio ambiente. Esse, talvez seja o maior desafio à espécie humana na atualidade. Chegamos ao limiar de uma ruptura sem volta para o sistema planetário. As condições ambientais nas diversas escalas expõem problema do acúmulo das consequências de uma tendência geral de desenvolvimento que não alcançou os patamares de sustentabilidade. Ao contrário, estão sob forte pressão da exploração do homem", comentou o ambientalista.

Ainda segundo João Domingos, o parque em questão não é uma exceção. "Os déficits de investimentos adequados constituíram um cenário de abandono e equívocos de certas ações, delegando a própria sorte os destinos do conjunto biológico e sociocultural de uma parcela diferenciada no contexto do semi-árido nordestino", completou. Na tentativa de mudar essa preocupante realidade, melhorias vêm sendo implementadas no local pela Prefeitura de Caruaru, a exemplo da Brigada de Incêndio, que foi constituída em 2017 e conta com 40 membros.

O grupo diversificado é formado por abnegados colaboradores. Entre eles estão funcionários do parque, moradores da região de Serra dos Cavalos, Bombeiros Civis (BCs), Técnicos da Secretaria de Sustentabilidade e Desenvolvimento Rural (SUDER/PMC) e outras pessoas com os mais diferenciados perfis. A maioria recebeu treinamento em parceria com o 2º Grupamento de Bombeiros e o PrevFogo do Ibama. Atualmente, dispõem de equipamentos apropriados no combate a incêndios em áreas florestadas, além de outros itens indispensáveis nas ações.

Questionado sobre um Fundo Financeiro Municipal para apoio ao Parque João Vasconcelos Sobrinho, o gestor informou que o município há muito tempo dispõe de uma legislação que criou o Fundo Municipal de Meio Ambiente, embora ao longo de anos, o mesmo não teria sido efetivado, se restringindo apenas a mera formalidade de sua criação. Mas, ele tem boas notícias. "Atualmente, tem crescido consideravelmente a disponibilidade de recursos como resultado da efetividade de auxílios oriundos de diferentes fontes como, compensação ambiental, conversão de multas, parcerias, dotação orçamentária própria municipal e projetos", explicou.

Em mais uma tentativa de preservar o parque, atualmente ele é cercado em alguns trechos, graças a uma deliberação judicial. que foi atendida

 
 
 
 
publicidade