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Saúde
 
12/01/2019
Dia do Controle da Poluição porAgrotóxicos
 

Desde 2008, o Brasil ocupa o ranking mundial como o país que mais consume agrotóxicos

O Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos, vivenciado na última sexta-feira (11), serve para conscientizar a população quanto aos riscos do seu uso indiscriminado, causando problemas ao meio ambiente e à saúde humana. Órgãos e entidades ligadas à preservação do planeta foca no desenvolvimento de ações, entre elas a correta destinação das embalagens de agrotóxicos.

Desde 2008, o Brasil ocupa ranking mundial como o país que mais consume agrotóxicos. O resultado é a contaminação do meio ambiente, dos alimentos, de produtores e consumidores, a redução da biodiversidade, a morte de insetos polinizadores (abelha e outros) e de inimigos naturais das pragas, o surgimento de novas pragas e a resistência dos insetos.

Em Pernambuco, lei estadual de janeiro de 2015, em seu Artigo 1º, ficaram estabelecidos na forma dessa matéria, princípios, procedimentos, normas e critérios referentes a comércio, transporte, armazenamento, uso e aplicação, destino final dos resíduos e embalagens vazias, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, bem como o monitoramento de seus resíduos em produtos vegetais. Em se tratando especificamente de agrotóxicos, os profissionais habilitados para exercer a responsabilidade técnica deverão ser engenheiros agrônomos ou engenheiros florestais, dentro de suas respectivas áreas de competência.

Os agrotóxicos surgiram com uma proposta diferente: uma arma química durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, eram pulverizados por cima de regiões para intoxicar plantações e a população. Foi a partir da década de 1950 que eles passaram a ser usados para aumentar a produção de comida no mundo pós-guerra, evitando que as plantações sofressem com as pragas ou as ações climáticas. Nessa época, ficaram conhecidos como defensivos agrícolas, mas hoje já são chamados de pesticidas, praguicidas ou agroquímicos.

Ao longo dos anos, os agrotóxicos foram se modernizando, se transformando cada vez mais em agentes potentes contra as pragas. O problema é que eles atingem também outros animais, como as minhocas, as abelhas, as plantas e, claro, os seres humanos. Também podem contaminar o solo e os lençóis freáticos. Alguns deles permanecem nos peixes e insetos até depois da morte, contaminando toda a cadeia alimentar. Os pesticidas ainda diminuem a eficiência do solo que precisam cada vez mais de fertilizantes. E, como todo "remédio", os agrotóxicos estimulam que as pragas fiquem cada vez mais resistentes.

Em estudo da geógrafa Larissa Bombardi, do Laboratório de Geografia Agrária da USP, revelou dados preocupantes: os alimentos consumidos pelos brasileiros estão contaminados por uma quantidade de agrotóxicos proibidos na maior parte dos países da Europa. A soja e o feijão no Brasil, por exemplo, podem ter de 200 a 400 vezes mais agrotóxicos do que é permitido lá fora. Dos que são usados no cultivo da soja, quase 25% deles já foram proibidos na União Europeia e nas frutas podem ser encontrados até 20 vezes mais inseticidas do que nas do continente europeu. Os trabalhadores da lavoura são os mais atingidos por esse problema pelo contato direto com as plantações. Estima-se que oito brasileiros são contaminados por dia e que, para cada caso, 50 não são notificados.

Segundo a Anvisa, um terço da comida que consumimos já apresenta agrotóxicos. O pimentão é o alimento com maior taxa de contaminação, 91,8%.

O assunto é complexo e não cabe em uma só matéria, mas é importante que a população pare para pensar em tudo isso. Quando puder, opte pelas feiras orgânicas e lembrar de levar suas embalagens. Plante temperinhos e tenha horta em casa!

 
 
 
 
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