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29/12/2018
Livraria Estudantil fecha as portas
 

A empresa não resistiu à crise econômica e a outros fatores

Jaciara Fernandes

Uma parte da história literária de Caruaru chega ao fim neste sábado (29), último dia de funcionamento da Livraria Estudantil, após 76 anos de tradição e servindo gerações de municípios de todo o Agreste. A lamentável notícia ganhou as páginas das redes sociais, onde, desde a última quinta-feira (28), é o assunto mais comentado. O encerramento das atividades representa o reflexo da crise que atinge o segmento de livrarias em vários países, inclusive o Brasil, entre outros fatores.

Inaugurada há 76 anos, mais precisamente em 16 de agosto de 1942, pelos saudosos visionários Raimundo Ferreira e Galvão Cavalcante, este último conhecido por todos como ‘Dr. Galvão', o empreendimento já chegou com a responsabilidade de incentivar o hábito da leitura nos moradores locais. E assim foi feito, especialmente pelo segundo sócio que logo tomou à frente dos negócios, já que Raimundo Ferreira investiu em outro segmento. A verdade é que a Estudantil foi referência não só para o comércio do Centro, mas, principalmente, para estudantes de sete gerações. Dificilmente encontra-se alguém que nunca tenha entrado no imponente prédio localizado na Rua Duque de Caxias, no coração da cidade.

A Estudantil evoluiu com o tempo e chegou a atuar com quatro segmentos: gráfica, livraria e papelaria, móveis e instrumentos musicais, que, juntos, já chegaram a garantir emprego para 52 colaboradores. O número é bem diferente do atual, que não passava de 20. Para o empresário Ivan Galvão, que esteve na administração da empresa junto ao irmão Carlos Galvão desde a morte do pai Dr. Galvão, em 2003, o fechamento das portas da Estudantil é um retrato do que passa as livrarias de um modo geral. Ele citou o fechamento de estabelecimentos na França, Espanha e destacou a situação do Brasil, onde quatro livrarias encerraram suas atividades, sendo as mais conhecidas Cultural e Saraiva.

"O fluxo de clientes vinha reduzindo ao longo dos anos e, consequentemente, sumindo o nosso capital de giro. Chegamos a executar novas estratégias, quando os nossos principais cinco fornecedores nos abasteciam em consignação para que tivéssemos uma sobrevida. Mas, acredito que já era muito tarde", lamentou Ivan Galvão. Ele acrescentou que outra meta era reduzir em até 12% a folha com os funcionários. A falta de consenso entre os familiares retardou as resoluções em tempo hábil.

A Estudantil distribuiu, por muitos anos, as revistas O Cruzeiro, A Cigarra e Manchete, com caminhões semanais descarregando os exemplares para atender o público que aguardava com ansiedade por aquele momento. A verdade é que a população está se sentindo órfão com a perda daquela que também serviu de ponto de referência para os encontros, chamado carinhosamente de ‘Beco da Estudantil'. Ivan Galvão não esconde a tristeza que o tomou após a decisão. "Sinto-me num tremendo baixo astral, mas ao mesmo tempo, sinto-me fortalecido por ter a certeza de que cumprimos o nosso papel social ao promover literatura e educação", finalizou.

No espaço, será instalada uma unidade da rede de farmácia Extrafarma.

 

 
 
 
 
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