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Política
 
24/11/2018
Oposição questiona aumento de impostos
 

A Bancada de Oposição fez questionamentos sobre as solicitações enviadas em caráter emergencial pelo Executivo Estadual, além de debater os impactos para a população

O governador Paulo Câmara (PSB) tenta aprovar, em regime de urgência, uma série de projetos que visam aumentar impostos. O pacote traz uma arrecadação de R$ 172 milhões/ano, chegando a 688 milhões de reais em quatro anos. As matérias encaminhadas para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, entre elas o da Nota Fiscal Solidária, foram tema de debate no plenário da Alepe na última terça-feira (20) e de uma audiência com o secretário-executivo da Fazenda do Estado, Bernardo D'Almeida. A Bancada de Oposição fez questionamentos sobre as solicitações enviadas em caráter emergencial pelo Executivo Estadual, além de debater os impactos para a população.

Para o líder da Oposição, Silvio Costa Filho (PRB), o projeto da Nota Fiscal Solidária precisa de uma discussão mais ampla, além de ser muito diferente do que foi prometido no processo eleitoral. "Todos nós vimos na campanha que o governador Paulo Câmara prometeu o 13º do Bolsa Família. Dois meses depois encaminha o Nota Fiscal Solidária. Se o projeto for aprovado, o Governo do Estado vai prejudicar as feiras livres do nosso Estado, sobretudo, o homem do campo e o pequeno produtor. Por onde ando no Estado percebo que os cadastrados no Bolsa Família, na maioria das vezes, compram mercadorias em feiras livres, a exemplo de feijão, arroz, fubá, macarrão e charque. Pergunto ao governador como o beneficiário vai chegar no feirante e pedir Nota Fiscal para poder ter os benefícios dos programas", destacou Silvio.

Segundo o deputado, a conversão do benefício é mais uma retórica do Governo do Estado e pode prejudicar a população beneficiada pelo Bolsa Família. "Pelo projeto, o consumidor deve comprar produtos específicos da cesta básica no valor de R$ 500/mês. No entanto, a média do recebimento por beneficiário do programa é de R$ 170. No cálculo do benefício de 2,5%, o cidadão receberia R$ 51 da Nota Fiscal Solidária. Ou seja, para chegar aos R$ 150 prometidos pelo governador Paulo Câmara, o cidadão tem que comprar 6 mil reais no ano. É uma conta que não fecha, já que o teto do benefício é 370 reais – que em 12 meses chega a R$ 4.400", denuncia Silvio Costa Filho. Outro detalhe apontado pela bancada oposicionista é de que os beneficiários podem perder o Bolsa Família se tiverem renda mensal per capita superior a R$ 178, segundo decreto do Governo Federal.

Além da Nota Fiscal, o ‘pacotão' enviado pelo governador Paulo Câmara, trata do aumento da alíquota do ICMS do álcool, de refrigerantes, joias e bijuterias, água, veículos com valor acima de R$ 50 mil – o que torna Pernambuco o Estado com o carro mais caro do país, entre outros. "Nosso Estado está indo na contramão do país. Enquanto o Brasil começa a discutir a necessidade da redução de impostos, o Governo do Estado, depois do período eleitoral, vai em outra direção, empurrando um pacote de aumento de impostos para a Alepe. O que chama atenção é que em um mesmo projeto (PL 2097/2018), a gente trata de ICMS de álcool, IPVA, desoneração, tudo dentro da mesma matéria. Por que não foi encaminhado os reajustes em separado? Isso confunde e estreita o debate com a sociedade civil organizada e o setor produtivo", disparou Silvio.

A deputada Priscila Krause (DEM) destacou que a Alepe está discutindo também a renovação de impostos, apresentados pelo Executivo Estadual. "O que o governador Paulo Câmara propõe é um tarifaço de impostos ainda maior que o de 2015, quando usou o argumento da crise para justificar a majoração de ICMS até 2019. O que era temporário agora será definitivo e quem vai pagar é o cidadão pernambucano, de todas as classes, porque o ICMS é um imposto regressivo, que se espalha corroendo o orçamento familiar de todos. Enquanto os governos estaduais no Brasil estão buscando um movimento para melhorar a gestão, beneficiando o cidadão, aqui o desequilíbrio fiscal vai ser resolvido pelo caminho fácil e injusto do aumento de impostos", concluiu.

 

 
 
 
 
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