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Carlos Pinheiro
 
27.07
Fog londrino invade Caruaru

Dizem que uma mãe, ao se despedir do seu filho no Aeroporto Internacional Oscar Laranjeira em Caruaru, teria recomendado ao filho estudar, não se meter em confusão para não incorrer no risco de ser deportado, e a não dizer em Paris ser filho de Caruaru.

O filho, obediente e estudioso, entendeu os dois primeiros conselhos e estranhou o terceiro, visto que a mãe o ensinara a amar Caruaru acima de todos e de tudo.

– Porque, mãe, não devo revelar ser filho de Caruaru estando morando em Paris? – perguntou. E, como resposta, a mãe segredou baixinho em seu ouvido: – Filho, não quero que eles sintam inveja de você. O filho sorriu e embarcou sabendo não encontrar nenhum lugar no mundo que se compare a esta cidade maravilhosa de povo festivo, solidariamente único, e modesto.

O Fog londrino ocorreu no ano de 1952, deixando Londres totalmente coberta pela fumaça provocada pelo carvão vegetal que resultou na morte de mais de 100 mil pessoas, contudo, o visual do ambiente parecia um nevoeiro natural provocado pelo frio e, até hoje, quando ocorre nevoeiro que embaça a visão das pessoas e as fazem respirar vapores, se diz estar no Fog londrino. Pois é, Caruaru, neste inverno, foi tomada vários dias pelo Fog Caruaruense.

Nestes últimos dias, as pessoas não saíram de casa, só para mandar mensagem dizendo que o nevoeiro, o Fog, as impediam de circular pela cidade da futura Via Parque que ligará o Leste ao Oeste em caminhadas, em bicicletas, curtindo praças e academias, o que nos tornará cidade de estilo europeu civilizado, rico, pujante, porem conservando nossa cultura nas letras, no barro, na música…

O frio impregna pessoas no aconchego do carinho, nos figurinos e nos leva à churrasqueira, ao vinho, ao uísque, à cachaça, às conversas, desafiando que político fez mais por Caruaru e, em concordância nunca vista, registramos toda modernidade que a cidade apresenta neste momento de crise financeira nacional àqueles últimos gestores dos 50 anos, mas que Caruaru, bem e honestamente administrada, segue rumo ao futuro no estilo jovem de Raquel Lyra, tentando se livrar da política antiga que alguns teimam em permanecer.

Que os velhinhos da política caruaruense não saíam ao vento frio para não contraírem pneumonia, visto que o momento é outro, sem tosse e nem pigarros, tempos de uma nova e moderna Caruaru que absorve o frio com agasalho moderno em puro algodão, longe do capote serrano e das galochas.

Vê se pode?

 
 
 
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