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Rita de Cássia Souza Tabosa Freitas é advogada e professora de Filosofia.
Rita Freitas
 
30.03
Sensação de segurança

Em entrevista na Globo News, o ministro Sérgio Moro definiu como "sensação de segurança" o estado emocional dos partidários da liberação da venda de armas e sua posse/porte advindo da assinatura do decreto de maior flexibilização ao acesso as armas, promulgado pela presidência da república essa semana. O ministro ainda ressaltou que essa sensação é oriunda do fracasso das polícias militares ao combater a violência em seus estados e, em seus comentários, nada falou de concreto sobre uma política nacional de combate a violência e de segurança pública e política penitenciária.

Assim como em outras áreas, não há ainda nenhum indicativo de medidas para trazer maior segurança aos cidadãos brasileiros. A maior parte da criminalidade brasileira está diretamente relacionada ao tráfico de entorpecentes e a ausência de políticas de saúde pública para cuidar dos usuários. Enquanto perdemos tempo em discursos falaciosos, ignoramos os grandes especialistas na área de segurança e assim consultamos políticos medíocres, apresentadores de televisão retóricos e gananciosos e nada de concreto foi feito em termos de política de segurança pública nos últimos 30 anos, como disse o governador do Ceará, Camilo Santana, em entrevista no mesmo canal de televisão, inclusive fazendo um mea culpa em relação aos governos do seu partido.

Será que de fato as aulas em um clube de tiro irão preparar o cidadão comum para usar uma arma da forma correta? Segundo especialistas em segurança que treinam as polícias no Brasil, se não for usar uma armar, é melhor nem se mostrar que se tem, pois isso potencializa a letalidade da abordagem do bandido. Como fica a situação emocional do homem comum com a pose de uma arma de fogo no trabalho e/ou em casa? Imaginem que um dos crimes mais difíceis de serem combatidos são os de proximidade, provocados por desequilíbrio emocional, por "cabeça quente". Será que a facilidade em se ter uma arma vai diminuir ou aumentar esse tipo de crime? E acidentes em casa? Exceto nos EUA, nenhum país democrático do mundo flexibiliza o uso de armas e lá são as questões históricas de liberdade que permeiam o discurso e não a questão de segurança pública em descontrole, como no nosso caso. A pergunta de hoje deveria ser: a que interessa a um maior acesso as armas? Com certeza, não será ao cidadão comum, que continuará apenas com uma breve sensação de segurança.

 
 
 
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