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Política
 
17/05/2019
Caruaru adere à paralisação nacional contra cortes na educação
 

Docentes e alunos de unidades educacionais públicas e particulares, bem como representantes de partidos e associações, participaram do movimento

Léa Renata

O bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo MEC (Ministério da Educação) causou paralisação de professores de instituições federais de todo o país, na última quarta-feira (15). E em Caruaru não foi diferente. Docentes e alunos de unidades educacionais públicas e particulares, bem como representantes de partidos e associações, participaram do movimento.

A caminhada teve concentração às 9h, em frente ao Grande Hotel, no Centro. Por volta das 9h40, os manifestantes, com cartazes e palavras de ordem, seguiram pelas principais ruas até o Marco Zero. "Estou aqui em defesa da educação. Independente de qualquer governo, cortar, bloquear recursos nessa área é um afronte ao desenvolvimento, seja de uma cidade, estado ou país", afirmou Bruna Melo, que faz cursinho e sonha em ocupar uma vaga no curso de Medicina no campus Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru.

Em um primeiro momento, o Governo Federal havia dito que os ‘cortes' teriam ocorrido devido a "balbúrdias" em algumas universidades federais. Em seguida, justificou que a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos.

De acordo com o MEC, "não houve corte e, sim, um contingenciamento" de 24,84% das chamadas despesas discricionárias – aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas.

O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo, incluindo despesas obrigatórias. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou também sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas, segundo o MEC. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões. Esta semana, o Governo Federal afirmou que o bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente, caso a arrecadação volte a subir.


IDIOTAS ÚTEIS

O presidente Jair Bolsonaro chamou de "idiotas úteis" os manifestantes que protestam pelo Brasil contra o contingenciamento de recursos para a educação. Ao chegar ao hotel onde ficou hospedado em Dallas, no Texas (EUA), na última quarta (15), ele disse que o protesto "é natural", mas fez ataques. "A maioria ali é militante. Não tem nada na cabeça. Se perguntar sete vezes oito para eles, não sabem. Se perguntar a fórmula da água não sabem. Não sabem nada, são uns idiotas úteis. Uns imbecis, que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõem o núcleo de muitas universidades federais do Brasil", disse o presidente.

 
 
 
 
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